Clube Do Imperador

O CLUBE DO IMPERADOR! Hobbes x Rousseau

Professor Euzébio Costa

 

tttsa@bol.com.br

Ao ver o filme, muitas idéias e possibilidades fervilham em uma mente atenta aos dilemas abordado no mesmo, sem duvida e um filme com um enredo quântico, onde podemos abordar os dramas pedagógicos presentes, por vários ângulos, como deveria ser uma sala de aula, um espaço de amplas possibilidades, e infinitas idéias, mas por hora vou abordar os pontos solicitados na analise, sobre a óptica de dois filósofos, e um sendo também educador, Hobbes e Rousseau, onde sem duvida a idéia colocada por trás do filme pode ser escorada na filosofia destes dois grandes, – o homem nasce bom e a sociedade o corrompe? Ou ele nasce mal e a educação bem como o convívio social possibilita a ele fingir uma bondade que não e nata no ser humano? Ou simplesmente, qual seria o verdadeiro poder da educação na vida de um homem?

            A trama sem duvida se desenrola em um campo de dilemas éticos, pois, o que podemos observar e uma idéia de homem criado e moldado ao estilo soldado romano, onde a disciplina, a ética, e os valores morais, bem como a busca pelos ideais de cavaleiros estão presentes no filme, podemos observar que ao se tratar de uma escola de alta-elite, onde o que buscam e a formação do caráter de líder e de grandes homens de negócios, já que diferente de 90% da humanidade que entra na escola buscando um lugar ao sol, os alunos do filme na verdade já estão com seu lugar ao sol e o que terão que fazer na verdade e apenas mante-los longe do risco dos perturbadores e sonhadores da escalada e ascensão social, por esta lógica sem duvida podemos concluir que o fim não depende do inicio, já que inicio e apenas um ponto no espaço, perguntar por o inicio de uma coisa sem nada que o preceda e como perguntar por um circula quadrado, quando afirmo que o inicio de alguma coisa e tal hora, e por que alguma coisa precedeu este inicio, sendo assim não existe fim , nem inicio, existe apenas circunstância e creio que tudo depende das circunstancias. Observe quando o garoto filho de um influente senador chega para se integrar ao grupo escolar, ele já vem com um inicio corrompido, na visão de valores do professor, e talvez de parte da turma, mas na visão de valores do pai, e para o que ele esta sendo criado não existe nada que contraria seus princípios éticos e morais, então o problema neste ponto e este onde o inicio dos valores éticos do suposto filho do senador e diferente do inicio dos do professor, então creio que tudo vai depender de circunstâncias apenas, pois pensar que o fim depende do inicio ou vise versa e acreditar em um determinismo, e em educação, ter uma visão determinista e sem duvida caminhar em direção a um buraco negro.

 

            A questão que podemos levantar aqui e, se como observo a trama do filme, as coisas se desenrolam na vida mediante possibilidades e circunstância, como será que o meio interage na vida do sujeito? Acredito que o meio não corrompe, mas o sujeito sim pode corromper o meio, por exemplo, quando um aluno e colocado em uma realidade educacional diferente da que ele teve na escola da vida, onde ele terá que seguir regras, normas, terá que se moldado ao desejo do estado, sem duvida ele terá que se adequar a esta realidade, mas sem duvida o homem e fruto de suas escolhas, cabe a ele escolher como e ate mesmo se vai se encaixar nesta realidade, de forma que posso dissolver-se neste meio ou se entregar de maneira que mantenha alguma coisa de sua originalidade, e o que faz o personagem do filme, ele se entrega ao coletivo, mas não se corrompe pelo meio, pois ao final ele era o que sempre tinha sido, creio que o meio não pode mudar o sujeito a não ser que exista uma aceitação do individuo, do contrario ele pode entrar em qualquer meio e continuar sendo ele, sem duvida o garoto do filme, aplica de forma brilhante a teoria da duplicidade de Maquiavel, ele adota uma personalidade para na verdade controlar e se manter no poder, ao ponto de fazer o professor ir contra seus princípios éticos e morais alterando uma prova, para que colocasse o futuro senador no concurso Julio César. O que podemos a partir desta analise concluir que o caráter não e inato no sujeito, o caráter e formado a partir do momento em que o sujeito se percebe como senhor de desejos e sonhos e que tem um preço a pagar para atingir cada um deles, onde se pode perceber que quando o professor fala com o senador que pretende formar o caráter do seu filho, o senador responde sabiamente, que o papel do professor e ensinar o seu filho, mas o caráter do mesmo, ele, o próprio pai se encarregaria. Que pena que não temos muitos professores com a visão deste senador, pois a escola assumiu tantos papeis e esqueceu-se do seu papel primordial, que e ensinar cultura, hoje à escola e um caldeirão de papeis sociais, e uma confusão de valores, desta forma fica difícil conseguir o respeito da sociedade, pois nem mesmo a escola sabe hoje qual e seu verdadeiro papel na sociedade, ela perdeu seu caráter de educadora e agora quer se colocar na vanguarda de formadora de caráter?

 

            Nos dias atuais sem duvida somos mais influenciados por pessoas do que por ideologias, sem duvida uma pessoa pode influenciar a outra, e quero me ater a este ponto, pois sem duvida e este o eixo central da trama, como pode o caráter alguém modificar o caráter de outra? Na historia da humanidade esta cheio de exemplos de homens que modificaram seu tempo e sua historia, Jesus, Buda, Hitler, Julio César, e pessoas simples que com seu exemplo mudou a historia, como a empregada negra que se recusou a levantar-se do banco do ônibus para um branco sentar, foi espancada e com sua atitude, obrigou os negros americanos a marcharem por seus direitos, sem duvida isto e uma das poucas verdades que temos na vida, em uma escola o professor tem um poder monstruoso para influenciar seus alunos, o professor não e o que ele ensina antes de tudo o aluno aprende com o professor pelo que ele e, e não pelo que ele fala.

 

            Bem mas no inicio do texto sustentei que defenderia a trama do filme mediante os ensinamentos de Hobbes ou Rousseau.  Sem duvida vivemos em um mundo que estamos sempre enganando ou sendo enganado, ninguém esta fora desta arena chamada engano, Platão sabia disto e Buda também, enganar e uma das mais fortes e natas características humanas, o problema desta questão e associar esta condição com a nossa conduta ética e valores morais, pois ate o grande professor do filme em um determinado momento do filme faz uso da arte do engano. Dentro do filme creio que ninguém estava enganando ninguém, pois o homem sabe desta condição humana. Por esta lógica o filme e totalmente hobiniano, o homem em sua essência fetal e desprovido de maldade, mas não se analisa o homem por esta perspectiva zigotica, e creio que não e nesta perspectiva que falavam os dois filósofos, mas sim do homem que nasce a partir das relações sócias e se percebe como um ser de desejo, e os dois principais personagens do filme, o professor e o filho e futuro senador, nos colocam na parede da verdade hobinianas, pois mesmo o professor que tenta se colocar como modelo de ética e moral, joga de maneira vil para conseguir a direção da escola, onde naquele momento ele mostra seu verdadeiro Eu, ou seja, tanto o aluno quanto o professor eram praticantes da teoria da duplicidade maquiavélica, o que só pode ser entendido tal comportamento humano, como sendo a maldade a principal característica do homem social, e mesmo que ele receba a melhor educação, ou mesmo que não receba, pois parece que agora posso defender a visão de Rousseau, o que não creio ser verdade, pois se o homem sem a educação, em seu estado natural fosse realmente bom, era para as favelas e os bolsões de misérias mundiais, serem os locais mais pacíficos do mundo, já que em grande parte o homem esta em seu estado natural, e sabemos que isto não ocorre. O que quero dizer que a educação pode transformar um sujeito, mas esta transformação não se opera de fora para dentro, do professor-aluno, ou ate mesmo do aluno-professor, mas creio que ela ocorra em uma relação solitária do sujeito com seu contato e seu olhar diante das novidades acadêmicas e tecnológicas, o que o professor pode fazer e servir de mediador neste processo e não tentar se colocar como o próprio processo.

 

            O que percebemos e uma verdade atemporal, ou seja, o tradicionalismo funciona muito bem na educação, o que ele precisa e transverti se das novidades de cada época, pois a pratica do professor do filme era tradicional, disciplina, decoreba e aulas maçantes, o que fazia a diferença era a maneira como ela realizava sua pratica docente, relacionando os valores de suas aulas com a visão de mundo dos alunos, tendo em vistas que todos ali um dia seriam pequenos cessares em seus lugares de comando, era pertinente ensinar a vida dos cessares romanos, já que tanto na antiguidade como na atualidade o homem busca o poder, por isto os alunos aceitavam as aulas de maneira pacifica e respeitosa, mas se o mesmo fosse ensinar temas fora da realidade e futuro dos mesmos certamente não conseguiria o mesmo êxito alcançado, o que prova que o que conta não e o método, ma as relação do que e ensinado com a minha vida e minha visão de mundo. Os alunos apenas se encaixavam dentro desta realidade, pois no fundo nenhum deles queria alterar o futuro que estava sendo trilhados para eles, e o papel do professor na verdade foi o de facilitar este encaixe, ou seja, encaixar os alunos dentro dos sonhos de seus pais e da escola onde os mesmo estudavam, tanto que no final do filme isto fica claro, quando um dos ex alunos, leva seu filho para ser educado dentro dos mesmos princípios em que fora educado há anos atrás.

 

            Bem sei que meu olhar sobre o filme, CLUBE DO IMPERADOR, e destoantes com o olhar de muitos, mas não posso negar meu olhar só para se encaixar no olhar da maioria, e sem duvida o que podemos concluir e que as teorias hobinianas estão amplamente representadas e justificadas na trama do filme, e revela uma verdade assustadora que uma educação por melhor que seja não tem o poder de alterar o caráter de uma pessoa, a não ser que o próprio sujeito permita.

Bibliografia

O clube do imperador – 2004

euzebio ribeiro da costa
http://www.articlesbase.com/política-articles/clube-do-imperador-706607.html